E velho pode soltar pipa?
Prendi meu cabelo para fazer uma receita de brownie (primeira da vida, e deu certo, OK?) e, com isso finalizado, tirei a piranha do meu cabelo e mandei o movimento “L'Oréal”. Balancei a cabeça, fiquei tonta e fiquei encarando meu boneco do Shikamaru para não vomitar.
A idade chegou? Ou é só um corpo decrépito? De toda forma, quero falar um pouco sobre o envelhecimento.
“PORRA, TU TEM 31 ANOS E VAI FALAR DE ENVELHECIMENTO?”.
Criança eu já não sou mais, mas calma, não estou dizendo que estou velha, INSS feelings, etc. Só quero refletir coisas e, talvez, trazer algo para vocês também refletirem.
E começar com uma reflexão, pergunta, ou como queira chamar de:
“Você criança, teria orgulho do você adulto de hoje?”
Não sejam tão negativos, pensem com o coração e respondam com ele também, pois eu teria orgulho. Passei a infância me quebrando, brincando e aprendendo a ser adulta logo cedo também. Vivi uma adolescência sendo uma completa babaca, por não saber lidar com ser uma mulher trans, mas, ainda assim, sou melhor do que jamais fui. Trabalhei em vários lugares, fiz muita merda, vi muita merda e me relacionei com pessoas horríveis, mas ainda sou melhor do que jamais fui.
Se anos atrás me dissessem que faria faculdade, seria algo que me faria gargalhar, pois jurava a mim mesma que nunca ia sair daquela gráfica em uma “UNIesquina”. E bom, estou aqui, quase me formando em Relações Internacionais.
Com a idade, aprendemos que bondade e maldade são escolhas. E que as pessoas vão te tratar bem e mal, na mesma chance, quando você opta por um dos, mas ainda é uma escolha. Lembro até hoje como me motivava jogando Zelda, pensando em querer ser como o Link, que entra em uma caverna sem questionar e ajuda alguém! Ou talvez, ter escutado muitas vezes “O Menestrel” de William Shakespeare (sim, tem no YouTube e é muito maneiro!) e ter absorvido como a vida é dolorida, mas tudo bem.
O ponto é que tem conquistas nossas que, como crianças catarrentas, acharíamos FODA, mas, como adultos, passam pelos dedos sem o devido cuidado e carinho. Queria realmente trazer esse questionamento sobre o quanto você valoriza as coisas que você fez, faz, aprendeu ou ainda não. Alimente sua criança interior! E, falando disso, faça coisas que não fazia ou não podia lá! Colecione, sim, cartinha de Pokémon! Troque figurinhas de álbuns ou, para quem é mais nova, colecione photocard de Kpop! (Eu tinha TODOS da Jiu, do Dreamcatcher. Mas vendi, hehehe) — Enfim, seja bobo, alegre e tonto. A vida já nos faz muito sérios em muitos momentos.
Inclusive o meu photocard predileto dela, era esse. ♥
E, por último, uma coisa que queria tirar do peito é o fato de me esquecer da voz das pessoas com uma velocidade altíssima. Nisso, de esquecer vozes de pessoas que amei muito e hoje não estão mais entre nós. Meu querido tio, que lembro os tons de piada e brincadeira, mas não sua voz.
“Você vai vir com o clichê de que É PRECISO AMAR AS PESSOAS COM-”
Calmou!!!
Sim, é preciso, se for preciso. [?] Mas não é sobre morte!!
Aproveitar essa reflexão de envelhecimento, é também notar que o mundo à sua volta também envelhece. E, com isso, perdemos coisas, pessoas e ideias. E bom, o mundo muda, não é? Costumes novos, praticidades, discursos retornando, movimentos e, claro, músicas! Hoje descobrimos música no YouTube ou em qualquer agregador, mas, NA MINHA ÉPOCA, era MTV e RÁDIO! Que repetia sempre a mesma lista, só que em ordem diferente.
Enfim, no final eu embananei (adoro essa expressão), mas a ideia é essa. Não seja uma velha chata que reclama da juventude. Você, jovem, também era chata pra caralho. Seja você uma idosa de 31 anos, como eu, ou mais, aproveite e se orgulhe. De verdade, se orgulhe.
Pensa que nessa idade, na Europa medieval, você já estava morto!
Bom, aqui não tem sessão de comentário ainda, mas você pode sempre mandar o link desse post e me marcar no mastodon. Espero que tenha gostado dessa viagem no meu cérebro. Deixo vocês com a pergunta lá de cima, mas adianto: fiquem orgulhosos e orgulhosas, sim.
ps: pensei em falar da infância, mas me lembro bem pouco dela? Falar com a terapeuta sobre...